Pedro Machado, voluntário na Seara de Luz (Brasil):

“A minha primeira grande experiência de voluntariado foi no Brasil num projeto chamado Giramundo numa fundação chamada Seara de Luz. Senti que era altura de dedicar o meu verão a algo mais que eu próprio e ter uma experiência impactante que realmente me trouxesse algo, não quis ter o verão “do costume”.

Então fiz a minha experiência através da AIESEC, que é uma organização internacional que possibilita experiências internacionais de voluntariado e estágios. É destinada a jovens entre os 18 e os 30 anos.

Uma vez que já conhecia os processos internos da organização, senti bastante confiança. Para além disso, o facto de ter acolhido voluntários estrangeiros em minha casa, deu-me ainda mais insight em relação ao funcionamento das experiências.

O meu projeto consistia em educar crianças muito desfavorecidas sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável (SDGs) da ONU. Naturalmente, crianças, ainda por cima com baixos níveis culturais, não compreendem exatamente estas questões. Portanto, foquei-me em ensinar a base destes objetivos e como elas poderiam construir o seu futuro para contribuírem para a sociedade e viverem vidas mais felizes. Foquei-me muito na questão da educação e dos estudos, em tópicos ambientais e em igualdade de género, algo muito pouco evidente naquela comunidade. Sempre, claro, adequando as atividades e tópicos às crianças.

Confesso que os outros voluntários foram uma grande mais-valia da experiência. Na minha fundação, trabalhando no mesmo projeto, estava uma rapariga mexicana com a qual acabei por formar uma equipa de voluntários estrangeiros. Resultou muito bem porque pudemos aliar as nossas diferentes forças para o bem das crianças. Para além disso, dei-me muito bem com outros voluntários, tanto os brasileiros da AIESEC local como outros estrangeiros que trabalhavam em projetos semelhantes ao meu. Conheci muitas pessoas diferentes e de várias nacionalidades!

Voluntariado é realmente um conforto no coração. Dar um pouco de nós em prol de quem mais precisa é uma recompensa por si só. Para mim, simples sorrisos ou abraços fazem todo o esforço e todas as dificuldades valer a pena!

O momento mais marcante para mim foi quando uma rapariga, dos seus 15 anos e de condições sociais bastante precárias, me contou que tinha convencido os pais a fazer um intercâmbio no final do seu ensino secundário. Em condições normais, para muitos de nós, isto não seria algo exatamente marcante. No entanto, saber que esta rapariga conseguiu convencer os pais a fazer um investimento impensável para a condição económica deles, tudo para melhorar o seu futuro, conhecer outros horizontes e abrir novas oportunidades, foi muito especial para mim. Ainda por cima, sabendo que o fez apenas porque me ouviu a falar à turma dela sobre como eles podem lutar por um futuro melhor!

O maior desafio foi superar a diferença das condições das crianças. As suas condições de vida eram realmente bastante precárias e isso é algo que demora um pouco a digerir. Para além disso, no meu caso, a autonomia e o facto de estar num país estrangeiro onde tudo é diferente (embora a língua comum facilitasse) também me desafiaram. No bom sentido, claro!

Aprendi que realmente nós podemos ter um impacto muito grande nas vidas dos outros e cabe-nos a nós decidir o tamanho desse impacto e se ele vai ser positivo ou negativo. E aprendi também que sim, é possível ser-se muito feliz com muito pouco!

A mensagem que gostaria de deixar é que realmente o voluntariado não pode esperar. Muitas pessoas sentem a vontade de o fazer mas deixam outras coisas pôr-se à frente, tanto porque acham que não têm tempo ou porque têm medo do desafio. O meu conselho é mesmo que se lancem e que não se deixem levar pela rotina porque ajudar os outros vale sempre a pena!

Não falando na questão curricular, que é sempre uma mais-valia, acho que fazer voluntariado vale muito a pena porque estamos a fazer bem a nós mesmos enquanto o fazemos também aos outros. E nunca se sabe se, um dia, seremos nós a precisar!”

Pedro Machado